Professores e treinadores

Por Rodrigo Tupinamba Carvao
em 13/03/2026 |
Categorias: ChutebolEducação

No universo esportivo é comum o chavão de que ‘o esporte educa’.

No entanto, é também sabido que tal percepção só se faz verdadeira a partir de certas condições.

No caso do futsal por exemplo, nosso universo imediato, é fundamental a distinção entre os papéis de professor e treinador.

O treinador está, naturalmente, preocupado com as questões táticas da equipe; com o desempenho individual de cada jogador; com os resultados e, nos melhores casos, com as relações sociais dentro de cada time.

O professor, no entanto, apresenta uma dimensão decisiva no campo da educação: a dimensão do cuidado.

Isto se manifesta, concretamente, em coisas aparentemente pueris – mas da maior importância.

Como estão as condições da quadra? Há segurança? Está suja?

Precisa ser dividida com outro grupo? Está bem iluminada, é preciso algum arranjo?

Os alunos estão uniformizados? Os coletes, em bom estado? O material, suficiente?

Os professores e os alunos estão chegando, em sua maioria, no horário?

Tudo isso, para um profissional experiente, é percebido numa fração de segundos ao adentrar uma quadra.

Igualmente, sua tomada de atitude.

*

A partir deste ponto do cuidado, entrando na aula propriamente dita, outras questões se apresentam:

Meu plano de aula tem objetivos? (eu tenho um plano de aula?); está dentro de uma progressão de aprendizagem?

Preciso adaptá-lo em relação ao que a turma apresenta hoje? Tem alguma aula experimental?

Quais ideias estão representadas em termos pedagógicos?

Estou atento às questões pessoais visíveis na turma?

Se tais perguntas não forem facilmente respondidas, não estamos falando de um cuidado, logo de um professor – e iremos representar apenas um treinador nos moldes descritos acima.

Pode ser uma escolha, mas é preciso estar consciente dela.

*

A preparação do ambiente e do plano pedagógico são os elementos essenciais que, em nossa experiência, dão ao esporte a qualidade da educação almejada pelas famílias.

É sobre eles que repousam o desempenho, os resultados e, nas melhores histórias, os troféus.

No entanto, desempenho, resultados e troféus não terão, absolutamente, o mesmo alcance humano e educativo na formação das pessoas (crianças e adolescentes) com as quais nos dispomos a trabalhar, se a dimensão do cuidado não for observada – cotidianamente.

O retorno afetivo de contribuir na formação humana de cada criança, podemos afirmar, é incomparável.

É aquilo que toca o coração do professor, como recompensa ao passar dos anos.

Títulos são muito prazerosos, mas a marca que transforma a vida de alguém passa pelo cuidado indissociável do ato de educar.

Aquele abraço, saudações esportivas

Compartilhe essa história!

Deixe um comentário

  • Parabéns pra nós!

    É neste sábado – vamos lá!! – Na Lagoa Rodrigo […]

  • Mais o quê?

    Caros (as), Temos percebido, de uns tempos pra cá, como […]

  • Dando tempo ao tempo

    Caríssimos (as), Voltamos às aulas com força total! A galerinha […]