

Debaixo da trave
Faltava goleiro na equipe pra Copinha do Mundo.
Um aluno, que raramente jogava na posição, levantou a mão. Um pouco mais novo que os colegas de time, sem repertório nenhum ali. Mas tinha desejo de ajudar e coragem de se colocar num lugar estranho a ele mesmo.
Os primeiros treinos foram duros. Bola entrando, posicionamento que faltava, o corpo ainda sem saber como proteger aquele gol todo.
A turma, muito unida, reagiu como se esperava dela. Em vez da cobrança, assumiu o risco junto.
Nos tempos livres, os próprios colegas ficavam chutando bola pra ele treinar, corrigindo posição, dando aquele empurrãozinho que só quem é amigo de verdade sabe dar.
A evolução veio rápido. Cada treino, uma defesa melhor. Cada jogo, uma surpresa mais agradável – para nós e para ele.
…
Ocupar uma posição em quadra é diferente de conquistar essa posição e se reconhecer nela.
Aquele aluno se aventurou como goleiro pelo desejo de ajudar o time. Mas foi a confiança que conquistou aquele espaço pra ele. Uma confiança construída jogo a jogo, treino a treino, com a ajuda e reconhecimento dos colegas.
Criança sente quando é olhada, quando o outro confia e acredita nela.
É esse o espírito coletivo que uma competição como a Copinha exige e que, em nossas aulas, ensinamos: um time só é time de verdade quando um cobre a fragilidade do outro, e reconhece o esforço de quem topou fazer o que ninguém queria.
E me perdoem o clichê, o Chutebol é lugar de um correr pelo outro, sabe…
Aqui a gente joga junto – até o final!
Aquele abraço, saudações esportivas
(texto de Tiago Rigaud)
