Debaixo da trave

Por Rodrigo Tupinamba Carvao
em 23/09/2026 |
Categorias: Uncategorized

Faltava goleiro na equipe pra Copinha do Mundo.

Um aluno, que raramente jogava na posição, levantou a mão. Um pouco mais novo que os colegas de time, sem repertório nenhum ali. Mas tinha desejo de ajudar e coragem de se colocar num lugar estranho a ele mesmo.

Os primeiros treinos foram duros. Bola entrando, posicionamento que faltava, o corpo ainda sem saber como proteger aquele gol todo.

A turma, muito unida, reagiu como se esperava dela. Em vez da cobrança, assumiu o risco junto.

Nos tempos livres, os próprios colegas ficavam chutando bola pra ele treinar, corrigindo posição, dando aquele empurrãozinho que só quem é amigo de verdade sabe dar.

A evolução veio rápido. Cada treino, uma defesa melhor. Cada jogo, uma surpresa mais agradável – para nós e para ele.

Ocupar uma posição em quadra é diferente de conquistar essa posição e se reconhecer nela.

Aquele aluno se aventurou como goleiro pelo desejo de ajudar o time. Mas foi a confiança que conquistou aquele espaço pra ele. Uma confiança construída jogo a jogo, treino a treino, com a ajuda e reconhecimento dos colegas.

Criança sente quando é olhada, quando o outro confia e acredita nela.

É esse o espírito coletivo que uma competição como a Copinha exige e que, em nossas aulas, ensinamos: um time só é time de verdade quando um cobre a fragilidade do outro, e reconhece o esforço de quem topou fazer o que ninguém queria.

E me perdoem o clichê, o Chutebol é lugar de um correr pelo outro, sabe…

Aqui a gente joga junto – até o final!

Aquele abraço, saudações esportivas

(texto de Tiago Rigaud)

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