

Descalços
Na volta às aulas havia um grupo de meninos jogando bola na quadra.
O pessoal da turma ficou meio amuado antes de começar o treino, vendo aqueles meninos: eram ligeiramente mais velhos, e estavam jogando descalços.
Deu o horário, a turma não estava cheia (famílias ainda organizando rotinas), o professor não queria interromper uma pelada tão animada – mas precisava dar aula.
A solução: reunir os grupos (alunos e peladeiros) e propor um jogo, juntos.
Alguns alunos ficaram desconfiados, mas a meninada peladeira, mais velha, gostou da ideia e se dispôs a jogar de acordo com os alunos um pouco mais novos.
Após uma desconfiança inicial, estava todo mundo jogando junto – descalços e sem camisa!
***
O futebol brasileiro nasceu da rua.
O estilo do nosso futebol, objeto de debates, discussões (perdemos o estilo? ou não perdemos?), esse estilo apreciado desde que foi consagrado em campos profissionais impressiona justamente pela capacidade em encontrar soluções.
Soluções diante de problemas previstos e imprevistos, defesas intransponíveis, enfim, tudo o que já foi filmado, assistido, descrito como tal.
Na raiz de tais habilidades está, justamente, o jogo espontâneo que, atualmente, parece pouco praticado. Uma hipótese bastante considerada é justamente aquela que aponta: se quase não há mais futebol de rua, campos de várzea, onde e como esse talento poderá se desenvolver?
Não será em escolinhas em que crianças paradas fazem filas e driblam cones. Ao menos não tendo isso como base.
A atividade espontânea de crianças e adolescentes, seu jogo espontâneo – inclusive sem a intervenção direta do adulto – é o que dá acesso ao brincar, o fantasiar, o inventar.
De soluções comuns (tirar times equilibrados, equacionar regras comuns e acessíveis, tratar as pessoas), até a habilidade que salta aos olhos como magia.
Para isso é preciso poder se arriscar, se entregar ao jogo em um ambiente que favoreça os movimentos espontâneos.
Mesmo em ginásios, com horário de aula marcada e treinador direitinho, é possível fazer. E necessário.
Aqueles meninos que não se conheciam, jogando descalços e sem camisa, nos lembrou – e talvez a eles mesmos – daquilo que é o essencial.
Aquele abraço, saudações esportivas

Adorei saber e por essas e outras que amo o chutebol para o Dante. Acredito demais nesse jogo de cintura e na mistura da vida e das experiências. Faço isso sempre que possível aqui na vida do lado de fora dos campos. O mundo está perdendo a espontaneidade.
Que venham mais peladas!
bjooo
Caroline Valansi
Sim! Poder se arriscar, de desafiar e dar o seu melhor, sempre. Só não pode não ser divertido. Bjs!