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O Tempo, Sempre O Tempo

O tempo, sempre o tempo

Os meninos brincavam livremente no início da aula. Dois grupos, digamos majoritários, brincavam de futebol mesmo, cada grupo numa baliza e a bola sendo disputada por meia dúzia em frente a ela. O famoso “driblinho”, ou “cascudinho”. É cada um por si – quem fizer gol, vai pro gol. Algumas figurinhas ainda confundem as bolas e chamam o jogo de ‘si contra si’. Pano rápido!

Ocorre que há, na mesma turma, um ou outro menino que prefere, diante deste pequeno caos, brincar de outra maneira com a bola. Num caso específico, o fulaninho estava a sós, eu já ia dar um alô nele quando chegaram outros dois amigos que costumam compartilhar dessa preferência. Não precisei me oferecer para jogar, embora o faça com frequência.

Pois os três arrumaram seu espaço em quadra (aí precisei dar um alô na galera do cascudinho) e começaram um jogo de pênaltis, mais organizado, com menos gente, num ritmo e numa intensidade comuns a eles. Meu colega professor estava atento também, e rimos com o olhar.

Essas crianças me lembraram mais uma vez da questão do tempo. Do tempo do aprendizado de cada um. E, mais do que isso, do amadurecimento psicomotor no seguinte sentido: muitas vezes, mesmo numa turma ou estágio mais avançado em determinada atividade, pode ser que a criança precise (re)viver situações que a maioria já abandonou. O adulto precisa poder desconfiar dessas coisas e se colocar disponível.

No caso específico que narrei acima, a situação do jogo ‘driblinho’ ainda se afigura muito caótica para os três amigos da história. É um jogo animado, quase uma luta pela vida, mas… para eles ainda é demais. Precisam tocar na bola com mais frequência, precisam ter tempo para tê-la sob seu domínio, sentem necessidade de controlar o espaço ao redor sem o ranger de dentes alheio. Na hora do jogo de futsal propriamente dito, com árbitro, com posições mais definidas, eles gostam mais.

Claro que poderíamos falar apenas numa preferência por este ou aquele jogo, mas, dada a repetição e aquilo que percebemos destes jogadores mirins na rotina, é pertinente pensar nessa questão do tempo, do ritmo, e da necessidade de respeitar o amadurecimento de cada um.

O desenvolvimento psicomotor e emocional, sabemos, não é uma linha reta. Ele é dado a curvas, avanços e… um passinho atrás, por favor, professor. Não precisa empurrar, eu já estou indo. É só eu me sentir um pouquinho mais seguro, você pode compreender, né?

Sei que também já foi criança.

Aquele abraço, saudações esportivas

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