

Por um gol
O pequeno jogador chegou cedo ao ginásio.
Sua equipe não havia obtido bons resultados, embora tivesse se apresentado bem em alguns momentos.
Torcida quente, ginásio cheio.
Ele acompanhava outros colegas, que jogavam por outros times.
Ouviu, inclusive, a preleção de outra equipe, que tinha chances de título.
Ouviu o treinador dizer: “Estamos lutando pelo título, vamos fazer assim, assim e assado”, para o time ‘X’; “Estamos lutando pela classificação”, para o time ‘Y’; e ainda “Não nos classificamos, mas vamos vencer essa partida para terminar na melhor colocação possível”, para o time ‘Z’.
E pôde dizer ao treinador, como quem lança uma garrafa ao mar: “Meu time precisa fazer pelo menos um gol, vamos lutar por um gol na competição, a gente ainda não marcou!” – e sorriu de lado, com certa inocência (e certa sabedoria) infantil.
***
O jogo começou. Ele estava muito concentrado. Corria, marcava, se empenhava.
Sabia se posicionar, ajudava a orientar os companheiros. Seu time estava na última colocação, de um total de dezoito. Lutava.
Levaram um gol, levaram outro, levaram um terceiro.
O menino não desistia.
***
Seu time reagiu. Marcou um gol. Depois outro. Quase empatou. Levou o gol definitivo, que selava a derrota e a posição na tabela, no lance final.
Perto do fim do jogo, passou mal. Ficou sem ar, precisou de um imperativo do treinador para voltar à quadra – estavam sem banco de reservas. Voltou, no limite das forças. Entregou tudo.
O treinador fez questão de dar um longo abraço e cumprimentá-lo. Foi de uma bravura sem igual. Ouviu, aliás, de outro adulto, que o pequeno jogador havia comentado que “iria dar a vida” naquela partida. E deu.
Então, o treinador lembrou-se do que o menino havia profetizado: que precisavam marcar ao menos um gol para encerrar a competição.
***
É preciso seguir lutando por alguma coisa. Crianças que passam por essa experiência, em que campo da vida for, aprendem a viver o osso dela (a vida!) em seus próprios limites. Aprendem a ajudar, a pedir ajuda, a tomar decisões e a convocar outras pessoas em busca de alguma coisa.
Pode ser um título; uma classificação; uma simples vitória.
Ou um gol, um único gol – que valha por toda sua vontade de viver.
Aquele abraço, saudações esportivas

Excelente
Obrigado, Rodrigo. Ele vai ficar feliz ao ler isso.
Abraço
Texto emocionante! Parabéns!
Que lindo, Rodrigo. Me emocionei.
Que grande figura vc é. Que sorte termos a chutebol por perto.
Grande abraço.
cada copinha, uma penca de emoções diferentes.
esta partida foi emocionante, e este “hermano” e seus companheiros foram incriveis!
todos empenhados e lutando até o fim! só orgulho!
nossa torcida firme (ainda que igualmente desfalcada), o imperativo do treinador (que estava de tecnico do time adversario, inclusive! rs), e muito aprendizado para todos.
coração segue firme, que venham as próximas!
Oi Rodrigo, que texto lindo e genuíno. O que essa molecada precisa entender (e sobretudo seus respectivos pais) é que, façam como for, mas o que vale é minimamente se divertir.
Trabalhamos muito isso com o Tomás e mesmo quando ele entrava nas partidas e perdia um gol, saía de cabeça erguida “se divertindo”.
Seguimos juntos!
Bjs
Texto simples e carregado de emoções e sabedoria.
Nosso jogo é outro! ⚽️❤️
Boa. Ousar lutar, ousar vencer!
Grande abraço,
Rafa
Bonita história, valorizando as pequenas ações que se tornam grandes pelo empenho!!
Parabéns, Rodrigo, você está no lugar certo!
Bjs
Tia