

A Copa é das crianças
A Copa do Mundo é das crianças.
As questões políticas, o marketing esportivo, a pressão incalculável por desempenho, os sites de apostas, o fanatismo – e qualquer outra questão que atravesse a competição, nada consegue ser mais importante do que as partidas, a competição em si.
A magia do futebol reside na fantasia infantil de fazer as melhores jogadas, imaginar-se jogando por si e pelos seus, comemorando com gestos criados e imitados; no imaginário de sentir-se herói representando um time-nação.
É na fruição do devaneio que surge a fagulha de excitação da Copa do Mundo, com todos os problemas (graves e terrivelmente reais) que ela cria, traduz, nega ou joga luz.
A retomada das pinturas de rua, os enfeites, os bolões que não valem dinheiro, o conhecimento de times e jogadores nada famosos e, claro, o álbum de figurinhas. As trocas de figurinhas, o jogo de bafo – os encontros.
Devanear, imaginar e sonhar são atos, físicos e psíquicos, de causa e efeito do brincar.
À medida em que os jogos esquentam, que os palpites convergem ou colidem em análises intermináveis, vão-se criando expectativas sobre heróis e vilões; não interessa se por um aficcionado desde a infância, ou por um aventureiro que recém descobriu o esporte.
Tudo isso, que chega aos píncaros do profissionalismo e da pressão por resultados começa, repousa e se justifica pelo impacto psíquico, individual e coletivo, da brincadeira como necessidade fundamental do ser humano.
Ninguém entra pra disputar uma boa pelada pela fisiologia da coisa. Não que ela não exista. Mas o que existe, antes dela, é o brincar de bola.
E isso devemos às crianças.
Jamais esqueçamos.
Aquele abraço, saudações esportivas
