

Pós treino
A cena é comum: o menino jogou, treinou, se esforçou. Acertou aqui e ali, errou acolá.
Na saída, além de um abraço apertado, avistamos da quadra algo semelhante a uma pequena palestra.
O pai, com toda boa vontade do mundo e acreditando piamente em ajudar o rebento, gesticula, aponta, mostra o que deveria ter sido feito; o jeito certo de bater na bola; o posicionamento assim ou assado.
(Escrevi ‘o pai’ propositadamente: as mães não costumam fazer isso).
A coisa se arrasta, o menino encolhe os ombros, baixa o olhar, se despedem de longe do professor.
Uma cena comum, mas que não ajuda necessariamente a criança.
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O tipo de cena descrito acima costuma empurrar os pequenos jogadores a uma sensação de insegurança. Passam partidas e treinos olhando para a arquibancada, na tentativa de agradar ao pai.
A busca do olhar é uma busca pela aceitação.
Filhos fazem de tudo para confirmar que são amados e, por mais que os pais tentem justificar a melhor das intenções com as quais passam instruções daquela maneira, o que importa para o menino, nessa situação, é agradá-lo.
Tal agrado, no entanto, não colabora para o amadurecimento necessário. A busca constante por aprovação mina a confiança e, assim, dificulta o caminho para a autonomia.
Ao contrário, jogar o jogo à sua maneira; se haver com colegas de time e instruções do treinador; acertar e errar, são melhor aproveitados quando, na saída da quadra, há um abraço e, no lugar de um falatório, uma escuta.
Crianças adoram contar o que fizeram, como fizeram, por quê fizeram. E aí cabe uma boa conversa, uma pergunta, uma sugestão, até mesmo uma opinião sincera, com cuidado.
O que é diferente de uma aula idealizada do que deveria ter sido – que coloca a criança numa situação de inferioridade, de jamais atingir o ideal.
Que, convenhamos, não existe.
O que existe – e importa – é o suor de cada um deles, dentro de uma expectativa mais real, mais atada ao piso duro da quadra.
É o caso de os pais poderem levar seu amor até lá.
Aquele abraço, saudações esportivas.
