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Competindo em 2024

A competição pode ser uma ferramenta muito interessante para educar, num programa de educação esportiva. Entrando agora em nosso período competitivo, cabem algumas considerações.

Competir não é sinônimo de educar. No Brasil, particularmente, há um sem número de competições que, na verdade, atrapalham o amadurecimento infanto-juvenil, pois oferecem estímulos inadequados, acima da capacidade da criança ou do adolescente em corresponder ao desempenho necessário.

No caso específico do futebol, a massa de escolas, escolinhas e clubes opta por reproduzir o modelo profissional na infância, trazendo com isso uma gama de dificuldades numa situação (competitiva) que já impõe dificuldades naturais.

Tal modelo se caracteriza por um palavrório complicado para a criança (‘amplitude’; ‘longitudinal’; ‘extremos’); uma exigência de movimentos em sequência, quebrando a espontaneidade do jogo; uma exigência implícita (não dita, mas presente) de vitória; e toda uma estética para fazer, de um pequeno jogador, um atleta (filmagem dos jogos, VAR, álbum de figurinhas, busca por patrocínio de grandes marcas etc).

Não haveria problema algum nestas produções se o dito modelo não fosse referência de violência. Campal e na arquibancada. Vaiar, xingar, debochar, tripudiar e desqualificar o adversário não somente é estimulado, como desejável nas arquibancadas. Isto foi dado como aceito, e é uma questão que não caberá neste espaço.

No entanto, levar este modelo para os torneios infantis significa abraçar todos estes comportamentos, dentro e fora do campo de jogo. Fica assim uma tremenda contradição quando, impregnado por um modelo de jogar e torcer, o pequeno jogador vê o entorno falando que a competição é importante para educá-lo e que basta competir.

O que acontece nestas situações é que a criança sai da fantasia. Brincar de ser jogador é divertido e leva aos melhores devaneios, que são atravessados pela realidade ao levar um gol ou perder uma partida e saber reagir, por exemplo. Isto é o natural e faz parte das aprendizagens que uma competição proporciona.

Ao contrário, precisar corresponder ao modelo profissional camuflado de ‘competição educativa’ é confuso e contraproducente. O real da violência em gestos e comportamentos estereotipados vindo dos adultos leva à formação de um tipo de jogador; e leva também à desistência de muitos meninos e meninas que passam a não suportar mais tais ambientes.

O melhor que se pode fazer para usar a competição de modo favorável tem dois apoios: 1) proteger o ambiente competitivo, exigindo até com regras determinado comportamento do público (amigos e familiares), sob penas esportivas; 2) elaborar uma progressão de níveis de desempenho, para que os pequenos jogadores vão se acostumando com as exigências de forma gradativa.

Em nosso projeto, buscamos deixar isso razoavelmente claro:

> crianças até 07 anos não realizam qualquer competição. A própria disputa do cotidiano das aulas já é suficiente como estímulo. Ganham, perdem, sentem raiva, choram, experimentam o deboche, a alegria  – tudo isso no ambiente controlado das aulas em que os professores podem orientar, acolher e disciplinar no dia a dia, ano após ano.

> A partir dos 08 anos existe uma progressão que é avaliada caso a caso: 1)’Torneio à Vera’, que acontece dentro da própria turma, ao longo de um mês inteiro no cotidiano das aulas e funciona como um laboratório, já reproduzindo exigências emocionais, cognitivas, técnico-táticas; 2) Torneio Interno entre as turmas do próprio clube – já num dia especial, com torcida, troféus, medalhas e arbitragem; 3) Copinha do Mundo, disputada ao longo de quatro meses contra clubes vizinhos, nosso nível mais alto de exigência.

Assim como não é qualquer esporte que educa, a competição sem contornos que protejam a criança não terá nada a ver com um processo educativo, justamente por estar dissociada de uma pedagogia. Irá apenas reproduzir o modelo adulto que, no Brasil, é extremamente violento.

Quando, no entanto, o ambiente proporciona segurança e respeito à capacidade de desempenho infanto-juvenil, salta aos olhos o desejo de cada um deles em melhorar; em ajudar os colegas; em suportar momentos difíceis; em mostrar-se forte e corajoso.

O desejo, enfim, de vencer.

Aquele abraço, saudações esportivas

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