

Chutebol na Copa (3): os supercraques
É didática a eliminação de Messi e Cristiano Ronaldo nas oitavas de final da Copa do Mundo. Termino de escrever essa frase e já me dou conta da confusão que temos feito: eliminadas foram as seleções da Argentina e de Portugal.

Os super craques, que têm se revezado no lugar de melhor jogador do mundo, ganharam dimensões espantosas em nosso imaginário. Super craques sempre existiram, mas as discussões animadas, infindáveis e por vezes aborrecidas sobre quem é melhor, nos deixavam flertando muitas vezes num campo perdido entre a burrice e o narcisismo.
O futebol é um jogo coletivo. Deveria ser o óbvio ululante, mas não tem sido. Os times de Argentina e Portugal, cada um com suas limitações, não produziram volume de jogo para dar suporte suficiente a Messi e Cristiano- para que pudessem avançar no Mundial.
Para trabalhar com jogadores mirins, insisto, isso é didático.
Dentre as aprendizagens que papais e mamães desejam oportunizar aos rebentos, quando os colocam numa escolinha de futebol, a campeã talvez seja essa: “Olha professor, fulano gosta muito de futebol e quero estimular isso, acho importante ele saber trabalhar em equipe”. O professor abre um sorriso e balança a cabeça positivamente.
Se não tomarmos cuidado, essa noção se perde. Crianças e adolescentes precisam de modelos para se espelharem, para afirmarem suas identidades e maneira de existir no mundo. É evidente que, no vestiário, Messi e Cristiano procuram ser parceiros dos outros jogadores de suas seleções, e que contem com eles para ganhar partidas. Como atletas de elite, eles sabem que precisam de suporte. Quem cobra super-homens é o distinto público. E, claro, a mídia.
Essa cobrança, por vezes cruel e sem sentido de que alguém (sozinho!!) não ganhou um jogo – ou um título – faz parte de nosso devaneio como torcedores. Tudo bem. Mas a sério, a sério mesmo, essa fenomenal Copa do Mundo da Rússia nos dá mais essa lição. Super craques não se sustentam, em torneios de elite, sem o jogo coletivo.
O jogo solidário do Brasil de Neymar, da Croácia de Modric, da França de Mbappe, da Bélgica de Hazard e do Uruguai de Luizito os fez avançar. Bom sinal.
O século XXI precisa mais, como modelo, da necessidade de projetos coletivos do que do narcisismo demodê dos super-heróis. Precisamos acreditar mais uns nos outros do que num salvador da pátria. Essa é a vida real.
Aquele abraço, saudações esportivas
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2 Comentários
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Agora vai
Caros (as), Com o fim do (extenso) período de festas [...]
Amém
Caros (as), O blog Chutebol é fã do craque Tostão [...]
O luto da infância
Na convivência com adolescentes, é comum percebermos uma espécie de retorno de alguns comportamentos infantis que já poderiam ser dados como resolvidos, ou amadurecidos.

Muito bons os textos que vcs enviam… Continuem nos ajudando nessa árdua tarefa de educar!
Obgda!
Excelente! Obrigada