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Mundos diferentes

“A ideia de infância é uma das grandes invenções da Renascença. Talvez a mais humanitária. Ao lado da ciência, do estado-nação e da liberdade de religião, a infância, como estrutura social e como condição psicológica, surgiu por volta do século dezesseis e chegou refinada e fortalecida aos nossos dias. Mas como todos os artefatos sociais, sua existência prolongada NÃO é inevitável. (…) Nossos genes não contêm instruções claras sobre quem é e quem não é criança, e as leis de sobrevivência não exigem que se faça distinção entre o mundo do adulto e o da criança.
(…) Mas as próprias crianças são uma força de preservação da infância. Não uma força política, certamente. Mas uma espécie de força moral. Nessas questões talvez possamos chamá-las de maioria moral. As crianças, parece, não somente sabem que há valor em serem diferentes dos adultos, mas querem que se faça uma distinção; sabem, talvez melhor do que os adultos, que se perde algo terrivelmente importante quando se borra essa distinção.
(…) A cultura americana é hostil à ideia de infância. Mas é reconfortante e mesmo animador pensar que as crianças não são.”
 
[Adaptado de Neil Postman, ‘O Desaparecimento da Infância’, 2008]
 
Aquele abraço, saudações esportivas
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